Desde que assumiu o papel de Heleninha Roitman no remake de Vale Tudo, Paolla Oliveira vem enfrentando um dos maiores desafios de sua carreira: interpretar uma personagem profundamente humana, marcada por vícios, dores e fragilidades e lidar com um público que, em parte, não está disposto a enxergar essa complexidade.
Uma Heleninha diferente
A comparação com a interpretação icônica de Renata Sorrah, na versão original de 1988, é inevitável. Mas a proposta do remake é outra. A nova Heleninha não é cômica, nem trágica no sentido romântico. Ela é fria, distante, confusa, alcoólatra e privilegiada. E isso incomoda.
O público tem reagido com críticas fortes, não apenas à personagem, mas também à atuação de Paolla. Há quem diga que Heleninha é “sem carisma”, “difícil de gostar”, “elitista demais” como se uma personagem marcada pelo alcoolismo e fragilidade emocional tivesse a obrigação de ser simpática para agradar.
Paolla responde: “Ela é feita para incomodar”
Em entrevistas recentes, Paolla tem sido clara: a nova Heleninha foi pensada para causar desconforto. A atriz mergulhou fundo na construção da personagem, participando de reuniões com Alcoólicos Anônimos, conversando com especialistas e estudando o alcoolismo em mulheres de classe alta.
“Essa mulher não é para ser fácil. Ela é confusa, machuca quem ama e está perdida. E isso é real”, disse Paolla em entrevista à CNN Brasil.
Ela também rebateu as críticas superficiais nas redes sociais, dizendo que muitas delas são rasas e que o público “não está pronto para encarar a dor que vem de lugares privilegiados”.
Por que Heleninha incomoda tanto?
A rejeição à personagem revela algo maior: o incômodo de assistir uma mulher rica, branca e bem-sucedida sendo destruída pelo álcool. Heleninha foge do estereótipo da vítima dócil. Ela não é passiva, não é gentil, não é “redimível” o tempo todo e isso tira o público da zona de conforto.
Além disso, a ausência do alívio cômico, presente na versão original, reforça o peso dramático e o realismo dessa nova abordagem. Não é fácil assistir, mas é necessário.
Um debate que vai além da novela
A atuação de Paolla Oliveira abre espaço para reflexões importantes:
- Como o alcoolismo afeta diferentes classes sociais?
- Por que ainda exigimos que personagens femininas sejam agradáveis, mesmo em papéis dramáticos?
- Estamos preparados para consumir arte que nos tira do eixo?
Essas perguntas vêm à tona cada vez que Heleninha aparece em cena, e mostram como a televisão ainda pode ser um espaço poderoso para discussões profundas.
O Pop Radar apoia o desconforto necessário
No Pop Radar, acreditamos que a cultura pop é também um espelho da sociedade. E Heleninha, com todas as suas falhas e contradições, é um reflexo que nem todos querem encarar.
Paolla Oliveira entrega uma personagem forte, quebrada e corajosa e, gostem ou não, é impossível ignorá-la.





